Os três amigos saíram da Praia do Janga e conseguiram retornar à terra firme na Praia do Mangue Seco

O costume de pescar nos finais de semana se tornou em horas de pânico para um trio de amigos. Eles ficaram à deriva durante 16 horas, entre a tarde do sábado (21) e a manhã do domingo (22), distante quase 10 km da costa, após a lancha em que estavam afundar. Eles saíram da Praia do Janga em Paulista, no Grande Recife por volta das 13h e precisaram nadar desde 15h até às 6h do domingo para a Praia do Mangue Seco, localizada no distrito de Nova Cruz, em Igarassu, também na Região Metropolitana do Recife (RMR).

Em depoimento, uma das vítimas do naufrágio, o fisioterapeuta Gerson Nazário de 31 anos, divulgado em sua rede social, lembrou os momentos de terror e os limites que teve que superar para conseguir chegar em terra firme. Entre as vítimas do incidente também estavam um educador físico, de 62 anos, e um pescador nativo, de 54. O grupo saiu para pescar no início da tarde e por volta das 15h, percebeu que estava entrando água na embarcação. Trajados com os coletes salva-vidas, eles ficaram à deriva em alto mar. Embora soubessem da dificuldade para chegar à costa, persistiram em nadar para saírem vivos do mar.

As vítimas saíram da Marina na Praia do Janga, nas proximidades do shopping, por 12 km mar adentro em linha reta, para pescar, na lancha de Gerson Nazário. Eles perceberam que o sistema de ignição da embarcação estava apresentando defeito. Ele conta que as condições daquele dia, eram adversas para pescaria. “Deveríamos ter ido em um barco mais possante, porém nunca poderíamos imaginar que a lancha viria a afundar”, explicou.

Depois que o motor da lancha começou a falhar, eles resolveram voltar à praia, às 14h40. Porém, o barco só suportou o retorno durante 3 km. Todo o restante do percurso foi vencido com braçadas e pernadas. “A lancha já estava pesada, e só depois viemos perceber que era a água dentro dela. Quando notamos isso, ela afundou em apenas dois minutos! A água invadiu tudo e o barco perdeu muita força na hora. Quando o meu amigo, com mais de 40 anos de experiência de pesca perguntou se o barco era revestido com isopor, eu me desesperei. Sabia que aquilo era fundamental para ele se manter na superfície”, relembrou.

O barco afundou com tanta velocidade, que os amigos sequer tiveram tempo de ligar para alguém. “O desespero foi tanto que meu amigo não conseguia lembrar da senha para destravar o celular e ligar para a Marina. No começo eu só conseguia gritar e pedir por socorro. Mas depois fui me acalmando e pensando no que tínhamos que fazer. Ninguém da nossa família imaginou que estaríamos em situação tão crítica, por isso não mandaram resgate. O que eles imaginavam é que estávamos dentro do barco quebrado e que iríamos esperar amanhecer para entrar em contato com eles”, detalhou.

MAIORES DIFICULDADES

Gerson contou que o que ele tinha medo em toda a situação era o medo de morrer afogado. Além disso, ele temia por várias outras adversidades: ataque de tubarão, hipotermia, correnteza contra o destino dos nadadores, fortes chuvas durante a madrugada, fome, sede, cãibras constantes e desidratação. “Um dos meus maiores desafios foi vencer o medo de ser mordido pelos tubarões, já que sabemos que o nosso litoral é cheio desses predadores”, relatou fisioterapeuta. Outra grande dificuldade vivida por Gerson foi ter que ajudar o amigo de 54 anos, e menos experiente em natação a nadar durante cerca de 12 horas, pois ele já não tinha mais forças para se locomover.

Os pescadores estavam com o GPS, mas a correnteza era muito forte, e colocava os nadadores em direção à Paraíba, dificultando ainda mais a aproximação das vítimas até a terra firme. “O que mais pesou nisso tudo, foi o tempo que passamos dentro da água, nadando sem parar, e ao mesmo tempo, pensando durante essas 16 horas que poderíamos morrer a qualquer momento”.

O pescador informou que deve tentar resgatar a embarcação naufragada para recuperar os pertences, mas ele conta que o mais difícil conseguiu, que foi a vida dele e dos amigos após o naufrágio. Questionado sobre o momento em que finalmente chegaram à praia, Gerson diz que: “Foi obra de Deus. Se me contassem essa história, dizendo que eu ia passar por tudo isso, eu jamais imaginaria que resistiria por tanto tempo. Chegar até a praia, foi a maior felicidade da minha vida nesses 31 anos de existência”, comemorou o fisioterapeuta.

ESTADO DE SAÚDE

Ao chegarem na praia do Mangue Seco, comerciantes estavam arrumando as meses em frente a um bar, e prestou toda a assistência aos três amigos. Eles se hidrataram, se alimentaram e finalmente puderam respirar aliviados. Cada um deles foi para a casa de suas famílias relatar o ocorrido e na tarde do domingo foram encaminhados para unidades de saúde para fazerem os exames. Gerson contou que ficou muito tempo sem conseguir mexer as pernas, devido ao esforço, mas que aos poucos está se sentindo melhor. A maior recuperação agora será a parte psicológica e o trauma a ser superado.

Fonte: JC Online

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