Quem não tem renda para poupança e investimentos (o pobre) é o mais prejudicado.

De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o pagamento de impostos mais a inflação (o imposto invisível) custa para o brasileiro quase 6 meses da sua receita. Os impostos incidentes sobre renda, patrimônio e consumo retiram de você 42% da sua renda bruta. Em média, 153 dias do fruto do trabalho do brasileiro é sugado para o “tesouro” público.

O Brasil ocupa a 8ª posição entre os países em que mais se trabalha para o estado:

Dinamarca: 176 dias
França: 171 dias
Suécia e Itália: 163 dias
Finlândia: 161 dias
Áustria: 158 dias
Noruega: 157 dias

A presença do Brasil nesta lista é no mínimo estranha e deslocada, pois, em tese, quem produz riqueza nestas nações ricas parece ter um certo retorno mais coerente com a quantia que cada indivíduo é forçado a entregar para o governo. Para se ter uma ideia mais próxima de quanto o brasileiro se sacrifica na obrigação de sustentar a máquina pública, nos Estados Unidos os pagadores de impostos são obrigados a trabalhar 98 dias por ano, no Uruguai 96 e no Chile 94.

Outra informação relevante, que trata do resultado do seu trabalho e quanto você obrigatoriamente entrega para os “líderes” do país, é a quantidade de dias que você trabalha por ano, apenas para financiar a corrupção dos 153 dias que já foram extorquidos de você, com a desculpa de oferecer serviços “universais, gratuitos e de qualidade”. O Projeto Lupa nas Compras Públicas, do mesmo instituto, o IBPT, monitora todas as compras realizadas pelos órgãos governamentais federais, estaduais e municipais e cruza o valor pago pelos governos com o preço da mesma mercadoria ou serviço comprado pelas empresas. Na análise dos dados para as transações realizadas em todas as esferas de governo, foi possível constatar que você trabalha 29 dias apenas para cobrir a conta dos desvios.

Enquanto políticos e funcionários públicos repetem ad nauseam que impostos são usados para o “bem comum”, há o essencial campo da saúde como um exemplo crasso de que, mesmo pagando cada vez mais impostos – na década de 1970, os brasileiros trabalhavam em média 46 dias para bancar os impostos; nos anos 80, 48 dias; na década de 1990, 102 dias – não se tem, ou jamais terá, o mínimo aceitável em retorno. Desde a Emenda Constitucional 86/2015, o Governo Federal destina mais de 13% da receita corrente líquida para serviços de saúde pública, com a meta de chegar a 15% até 2020. Isso significa que, incluindo os gastos de estados e municípios, há um total superior a 200 bilhões de reais gastos com saúde só em 2016, sem um nível e qualidade de atendimento minimamente aceitável àqueles que mais precisam. É o cidadão pobre que arca com mais de 53% dos impostos, enquanto ganha até 3 salários mínimos e corresponde a 79% da população.

Para piorar a situação, no mercado de saúde, prestadores de serviço como hospitais e clínicas particulares, e intermediários como planos de saúde sofrem, nos últimos 20 anos, cada vez mais intervencionismo – nas representações regulatórias da ANVISA e no excesso de judicialização de contratos, que favorecem oligopólios -, o que restringe ainda mais as possibilidades de um acesso digno à saúde. Vemos o mesmo quadro se repetir em outros setores públicos (educação, transporte e segurança), onde entes estatais cada vez mais se propõem a tomar conta da situação, em troca de impostos.

Como no Brasil a maior parte dos impostos pagos incide sobre o consumo (24% dos 42%), quem não tem renda para poupança e investimentos (o pobre) é o mais prejudicado. Para qualquer um que vive aqui, a conta mais cara a ser paga, todos os anos, é a cobrada pelo espoliador. E embora seja difícil evitar a mordida do estado em quase metade do que se ganha com o trabalho todos os anos, evitar pagá-los continua sendo a melhor iniciativa, embora ainda existam os riscos de ser sequestrado (preso por sonegação) e morto (se resistir à prisão).

Por: Lucas Oleiro
Fonte: Amálgama