Lojas voltaram a abrir nesta sexta-feira, após saques da quinta. Policiais militares e soldados do Exército estão nas ruas.

Em Paulista, Região Metropolitana do Recife, uma mãe voltou ainda na noite da quinta-feira (15) a uma das lojas saqueadas pelo filho para devolver um computador que ele tinha roubado. O gerente, Josias Guimarães, disse que, apesar dessa confusão toda, ficou impressionado com a conduta da mulher. “Uma atitude louvável, devolvendo o produto do roubo. Isso prova que existem pessoas honestas. Quem for pai veja esse exemplo, tome isso como atitude e não deixe que isso aconteça no seu lar”, alertou o gerente.

Às 7h30 desta manhã, as lojas começaram a abrir. Havia muitos seguranças nas calçadas, contratados pelos comerciantes. Também era possível ver um caminhão do Exército e um carro da Polícia Militar. A presença deles deixou os vendedores mais tranquilos. “Foi muito saque, muita correria. Tiro para cima, um absurdo. Nunca vi isso”, relatou a vendedora Rose Ferreira.

No meio das lojas saqueadas, duas mulheres esperavam pela abertura do consultório médico. “Ontem [15] tive que chamar meu cunhado para me levar em casa, porque não quis pegar ônibus, para não arriscar” disse a comerciante Marineuza Montenegro.

Na noite da quinta, a equipe da Globo Nordeste flagrou funcionários de uma empresa de segurança armados com uma espingarda calibre 12. Eles atiravam para o alto, para dispersar a multidão. Já nesta sexta, um vendedor enviou para equipe um vídeo que mostra uma loja da região ser invadida. Das 37 televisões que estavam no estabelecimento, 30 foram levadas ou destruídas. Havia pedaços de vidro e sandálias pelo chão. Por causa do quebra-quebra, a loja só deve voltar a funcionar na próxima segunda-feira (19).

Fim do movimento grevista
A comissão independente de policiais e bombeiros militares decidiu encerrar a greve da Polícia Militar, na noite da quinta, em assembleia no Centro do Recife. A reunião foi tumultuada e os líderes do movimento chegaram a ser vaiados por quem queria continuar com a paralisação. Três itens foram acordado com o governo: a reestruturação do Hospital da PM, implantação da gratificação por risco de vida no salário-base e a aprovação, até julho, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), de promoções para os praças.

A categoria, que iniciou o movimento na noite de terça (13), também cobrava aumento de 30% a 50%, dependendo da patente. No entanto, recuou da exigência. Após a paralisação ter sido decretada ilegal pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), o secretário da Casa Civil, Luciano Vasquez, afirmou que o canal de diálogo e negociação com os PMs havia sido encerrado.

Fonte: G1 Pernambuco