Teatro Paulo Freire (Paulista)
Teatro Paulo Freire (Paulista)

A tradição de Pernambuco como polo produtor e consumidor de teatro tenta se manter por um lado (no Recife, onde as cobranças por estrutura e grade de eventos são maiores), mas despenca por outro (nos municípios da RM e do interior, onde nem os poucos espaçõs sobrevivem à indiferença dos gestores). Nesse último caso, só para citar dois exemplos próximos, Camaragibe e Paulista. Foi um deus-nos-acuda, uma verdadeira queda-de-braço para arrancar da prefeitura do primeiro a promessa de restaurar o Teatro Camará, fechado há anos. E o milagre ainda não se fez por completo. Já o Teatro Paulo Freire (foto), em Paulista, segue caindo aos pedaços. Cinco anos depois de lastimadas as condições, a casa precisa de ar condicionados, cadeiras, reforma em banheiros; a lanchonete deu lugar a um caixa 24 horas; as paredes estão mal conservadas e o acesso não pode empolgar plateia nenhuma. Mais de uma vez, em 2011, a coluna se prestou a relatar os estragos, que tornam impossível a tarefa de educar através da arte. Imóveis assim parecem aqueles, levados pela urgência e o improviso, a servir de abrigo a vítimas de catástrofes, nunca um espaço cuja função é iluminar mentes e espíritos. Se a prefeitura lava as mãos, que o estado não feche os olhos.

Fonte: Diario de Pernambuco (assinante)