Fotos: Bruna Costa / Esp. DP FOTO

“Sinto que tem mais gente na rua durante o isolamento do que quando podíamos sair. Fico em casa a maior parte do tempo, mas hoje precisei vir ao mercado e encontrei a Feira Livre cheia. Espero que seja implantado o lockdown, para que possamos ficar seguros”, diz o funcionário público José Alves, morador de Paulista. Desde a última sexta-feira (14), o prefeito do município, Junior Matuto, enviou um ofício ao Palácio do Campo das Princesas, solicitando a inclusão do município no Decreto nº 49.017, que determina regras mais rígidas de quarentena para cinco cidades de Pernambuco, elas são Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e São Lourenço da Mata.

O Diario de Pernambuco visitou a cidade nesta quinta-feira e, mesmo que Paulista não apresente um número de isolamento social baixo – de acordo com o ranking montado pelo Ministério Público de Pernambuco – totalizando 50,8% de respeito às regras de quarentena determinadas pelo estado, muitas pessoas foram encontradas pelas ruas. A Feira Livre da cidade, localizada na Rua Siqueira Campos, contava com aglomerações de clientes e ambulantes, mesmo com agentes da Prefeitura no local. “As pessoas não estão obedecendo. Eu só deixei minha casa porque precisei vir à lotérica receber meu salário e pagar as minhas contas, mas sempre vejo Paulista cheia. Eu sou kombeira e meu marido ambulante, estamos evitando ao máximo deixar nossa casa. Quanto mais nos cuidarmos, mais rápido sairemos dessa”, diz Maria Eduarda Pereira, de 19 anos.

A maioria dos serviços não essenciais não funcionavam, mas alguns bares e lojas de tecido do município estavam abertas ao público na tarde desta quinta-feira. A Igreja de Santa Isabel, na Av. Senador Salgado Filho, principal cartão postal de Paulista, recebia fiéis. Na orla da praia do Janga no litoral sul do município, pessoas se exercitavam e passeavam com a família e/ou seus animais. A maioria destas usava máscaras. “Cumpro o isolamento, mas venho para a orla pelo menos três vezes por semana para praticar exercícios. Antes praticava todo dia. Assim como eu, muitas pessoas deixaram de frequentar o calçadão, está cada vez mais vazio”, diz o auxiliar jurídico João Gomes, de 47 anos. “Eu apoio os bloqueios em Paulista. Me sentiria mais seguro. Não entendo porque a cidade ainda não entrou no lockdown como as outras”, completa.

O auxiliar médico João Gomes pratica exercícios 3 vezes por semana no calçadão do Janga

Alguns pescadores também buscaram as praias da cidade nesta quinta-feira, há os que tentavam garantir o sustento, outros buscavam lazer. O pintor José Ferreira foi à praia de Conceição com seu filho e netos. Após ter pego coronavírus e ter se mantido em observação por 20 dias, ele quis ver o mar na companhia da família. “Eu só não fui embora porque Deus não quis. Eu sei que a quarentena é necessária para que mais pessoas não peguem a doença, mas não sei se Paulista consegue manter um lockdown. Tive dificuldade de achar atendimento médico quando tive falta de ar, o Hospital de Campanha não funciona”, disse. “Essa doença é séria, tem pessoas morrendo. O governo precisa olhar para a gente.”

Após a visita, todos os pontos observados foram enviados à cidade de Paulista, que respondeu com a seguinte nota: “Diariamente a prefeitura realiza abordagem educativa em populares que estejam em aglomeração e fiscalização para fechamento de comércio não essencial. É uma ação integrada que conta com gestores de várias secretarias, como Segurança Cidadã e Defesa Civil, Desenvolvimento Urbano, Procon municipal, Policia Militar e algumas vezes Bombeiros e integrantes da Lei Seca. Esta semana atuamos em vários bairros, como o Centro da cidade, Mirueira e as áreas das praias do Janga, Pau Amarelo e no Conjunto Beira Mar, onde fechamos diversos comércios que não estão com o funcionamento previsto no decreto municipal. Nesta quinta, 21, atuamos em Jardim Maranguape e Maranguape I. Nestes dois bairros também pedimos para fechar salão de beleza, bancas de bichos e lojas de roupas. Abordamos diversos transeuntes para orientar sobre o correto uso da máscara. Nos finais de semana atuamos nas feiras livres do centro e do Mercado de Paratibe.”

Pedido de lockdown

No documento enviado ao governador Paulo Câmara, o prefeito Junior Matuto destaca que embora tenha adotado diversas medidas no município, os números de infectados e de óbitos na cidade crescem. De acordo com a assessoria de imprensa do local, Paulista é o quarto município da região metropolitana com maior número de casos da doença, ultrapassando a marca de mil casos confirmados e mais de 65 mortes.

Até o fechamento desta matéria, o governo de Pernambuco não se pronunciou quanto a inclusão de Paulista ou de outras cidades no sistema de lockdown adotado pelo estado.

Fonte: DP