Problema que atinge vários bairros motivou o órgão a abrir um inquérito civil. A Compesa diz que trabalha para resolver

Problemas no abastecimento d’água em vários bairros do município de Paulista, no Grande Recife, colocaram a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) na mira do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). A situação de, pelo menos, dez ruas distribuídas em seis bairros será investigada por meio de inquérito civil ingressado pela promotoria do município. Nos próximos dias 24 e 25 de outubro, a Compesa deverá comparecer à promotoria munida de ofícios a fim de esclarecer o porquê de o transtorno, ao mesmo tempo que deverá apresentar soluções para cada caso apontado no processo.

A iniciativa, da promotora de Justiça Elisa Cadore Foletto, em ter convertido o processo em inquérito civil veio após a Compesa não responder o ofício enviado pelo MPPE em julho deste ano. Entre as considerações da promotora, ela destaca a necessidade de dar continuidade às investigações, uma vez que essa etapa do processo poderá embasar a tomada de medidas judiciais. Em Paulista, os bairros presentes no inquérito civil são Jardim Paulista Alto, Jardim Paulista Baixo, Nossa Senhora da Conceição, Engenho Maranguape, Centro e Maranguape 2.

É na casa número 56 da rua 167, em Jardim Paulista Alto, que a aposentada Maria José Ferreira, 78 anos, mora há cerca de 40 com os dois filhos. Até dois anos atrás, relembra, os moradores nem sabiam o que era problema de abastecimento. Desde então, as torneiras só têm água um dia para cinco dias sem. Isso, diz ela, quando o rodízio é cumprido. “Já chegamos a 15 dias seguidos sem água. Prefiro a falta de luz à água, porque coisas simples deixamos de fazer tendo que economizar ao máximo. Banho mesmo não tomamos com a frequência de antes e a roupa é acumulada para uma lavagem só”, lamenta.

Em Jardim Paulista Baixo, o cenário se repete. Na rua 7, o aposentado Clóvis Gomes da Silva, 69s, tem que fazer vários malabarismos para armazenar o líquido em baldes próximos à pia da cozinha, banheiro e fogão. Pontos estratégicos para que ele não tenha problema de locomoção devido a um AVC. “Agora, a conta chega. Pagamos por um serviço que não existe. Só o último boleto me cobrou R$ 108. Já cansei de reclamar.” 
Procurada, a Compesa esclareceu que “vem desenvolvendo ações para solucionar as questões”. Em relação às ruas de Jardim Paulista Alto , o órgão explicou que estudos foram feitos nas redes de distribuição que estavam obstruídas e que o abastecimento foi normalizado – apesar de os moradores afirmarem o contrário. Já quanto a Jardim Paulista Baixo, a companhia alegou que, até regularizar, o abastecimento vem sendo feito por meio de carros-pipa.

Fonte: FolhaPE