Parte das colunas de tijolo do Jardim do Coronel, em Paulista, está escorada por pedaços de madeira, para não desabar

Rachaduras e ferrugem ameaçam o muro de proteção do Jardim do Coronel, área tombada pelo Estado no Centro de Paulista, município ao Norte do Grande Recife. Parte das colunas de tijolos encontra-se escorada por estacas de madeira, para evitar desabamento.

A situação precária do muro é apontada por Ricardo Andrade, coordenador do Movimento Pró-Museu, grupo de defesa do patrimônio histórico de Paulista, e outros moradores da cidade.

Com mais de 20 mil metros quadrados de área, o Jardim do Coronel é uma propriedade particular, da família Lundgren. “Esse é um patrimônio escondido, porque só é aberto ao povo quando tem algum evento. Para piorar, o muro pode desabar a qualquer momento”, comenta um morador, sem identificar-se.

A professora Edilene Lopes lamenta a precariedade do muro e também propõe a abertura do lugar à visitação pública. “No Recife, as pessoas usufruem da Praça do Derby e dos Parques 13 de Maio e da Jaqueira. Nós temos um patrimônio histórico fechado e nessa situação.”

Roberto Silvério, comerciante informal no Centro de Paulista, acrescenta que, além de abrir os jardins, o casarão existente no terreno poderia funcionar como museu e virar um ponto cultural da cidade. “Muitos moradores de Paulista nunca entraram nesse lugar”, destaca o comerciante.

Ele conta que entrou no imóvel, oito anos atrás, porque conhecia um antigo funcionário. “É uma área que faz parte da história da cidade e se acabando desse jeito. Um espaço tão bonito como esse fica perdido, a gente só usufrui a calçada”, comenta.

De opinião contrária, o vendedor de quadros Marcelo Guimarães Dias, prefere que o jardim continue fechado ao público. “Se abrir, vai ter muito vandalismo. Como está, a área fica preservada”, avalia. Marcelo indica outro problema no local, árvores na calçada em volta do jardim, com troncos ocos por causa de cupins. “Se uma delas cai, o acidente será feio”, alerta.

Eduardo Lundgren, assessor dos grupos Nílson Lundgren e Wilma Lundgren, informa que o Jardim do Coronel e a casa-grande passarão por reformas no próximo ano. “Estamos levantando o orçamento”, declara. O casarão, diz ele, abrigará o Instituto Herman Lundgren, com espaço para museu, recepção e trabalhos educacionais.

A ideia é usar a casa-grande para contar a história da família, da cidade, da indústria têxtil e da rede varejista brasileiras. “Somos um dos pioneiros no País, essa história deve ser resgatada e compartilhada”, observa Eduardo Lundgren. Segundo ele, a família estuda a possibilidade de abrir o jardim para o público, em horários determinados.

Fonte: JC Online