por: Fernando Bezerra Coelho
Ex-ministro da Integração Nacional

Até a década de 1970 tínhamos em Pernambuco um dos principais polos têxteis do país, com grandes indústrias sediadas em Paulista, Macaxeira, Tacaruna, Torre e Moreno, só para enumerar as mais expressivas. Em torno destas unidades foram criadas dezenas de vilas operárias e, em alguns, casos cidades inteiras passaram a ter sua principal fonte econômica ligada à produção de tecidos.

Nos anos 70 veio a crise do petróleo, o preço do dólar saiu do controle e o setor, que tinha contraído os financiamentos em moeda estrangeira, entrou em colapso. Esta situação foi agravada na década seguinte, com a guerra fiscal entre os estados. O que já estava ruim piorou e a indústria têxtil entrou em agonia.

Pernambuco teria sido riscado do mapa da confecção no Brasil, não fosse a determinação e a criatividade do nosso povo, que reinventou a cadeia produtiva a partir da Sulanca. Hoje a Sulanca emprega mais de 150 mil pessoas, abrangendo 18 municípios e totalizando 12 mil empreendimentos, a maior parte micro e pequenos, com 3 ou 4 empregados.

O Polo do Agreste é responsável por 12% de toda a produção do jeans brasileiro.

Ainda na primeira gestão do ex-governador Eduardo Campos assumimos o compromisso de fortalecer o setor. Apoiamos decisivamente a inciativa de implantar um polo petroquímico têxtil, que fosse capaz de produzir fibras para viabilizar o ressurgimento da industria em nosso território. Afinal, teríamos a matéria prima para a produção de fios gerada a partir das atividades da Refinaria Abreu e Lima.

Este esforço de Pernambuco acabou por atrair importantes empresas nacionais e estrangeiras para Suape, na produção de POY, PET e PTA. O investimento total já ultrapassa R$ 9 bilhões.

Este complexo será o maior da América Latina e irá trabalhar em em grande escala, com polímeros e filamentos, que são os principais insumos do poliéster. Milhares de novas oportunidades de emprego vão surgir, mudando para melhor a vida de muita gente.

No entanto, uma engenharia tão importante como esta não pode ser obra de uma única instituição. Por isto criamos, em 2009, o Fórum Estratégico de Competitividade da Cadeia Textil e de Confecções de Pernambuco, que reúne os produtores privados e o setor público. Desta iniciativa surgiu o Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e Confecções, uma organização social que planeja e articula ações para melhorar produtos, tecnologia e qualidade das peças produzidas em Pernambuco.

O núcleo já começa a tirar algumas ações do papel, como a instalação do Marco Pernambucano da Moda, que será um ponto permanente para mostra e estudo da moda, incluindo a incubação de empresas de design e formação profissional. Também está sendo feito um esforço coletivo para inserir os estilistas e produtores pernambucanos nos mercados de outros estados e do exterior.

Se fizemos muito para o resgate do polo têxtil de Pernambuco, é porque sabemos que muito mais ainda há para ser feito, afinal temos uma vocação natural para a indústria têxtil. Precisamos diversificar segmentos, investir em inovação e qualificação, para que o talento dos pernambucanos possa ir além das nossas fronteiras.

Fonte: Blog do Magno Martins