Poeira é um item que não falta na Estrada de Manepá, no bairro do Engenho Maranguape, em Paulista. A via, que possui três quilômetros de extensão, é considerada de extrema importância para o município, visto que é responsável pela ligação entre a PE-22 e a PE-01, a qual dá acesso à área litorânea. O fato é que as condições da pista não são das melhores, posto que ela encontra-se em um período de obras inacabadas. Foi realizado um serviço, no local, para troca de tubulações da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). Há seis meses, outra etapa das obras teve início. Contudo, após quatro meses de execução, foi paralisada. Devido a isso, os moradores do entorno convivem com uma nuvem de poeira contínua, crises alérgicas, além de buracos na via, os quais causam danos aos veículos.

“O tempo inteiro a gente tem que estar limpando os móveis, varrendo a casa, porque a poeira não dá sossego. Nem adianta limpar as coisas. Meu nariz vive sangrando e eu espirro direto, tenho crise alérgica”, contou a vendedora Nanci Félix Albuquerque, 32. Ela reside na rua Pai Herói, situada ao lado da estrada, e possui um filho ainda criança que sofre com a alergia. Já o eletricista Israel Laurêncio de Lima, 51, que atravessa a via, geralmente, para ir ao mercado, reclama da falta de um acostamento para os ciclistas. “Desde que começaram esse serviço, a gente ficou sem ter onde andar de bicicleta de forma segura”, afirmou.

Na época do inverno, também é complicado circular na localidade. “Quando chove, fica tudo uma lama só. A gente fica sem conseguir ter acesso à pista. Tem que ir pelo Janga”, revelou o comerciante Bertier Paulo, 47. Para quem anda a pé, o sofrimento também é grande. “É uma caminhada poluída”, definiu o vigilante Rinaldo José, 42. “Tem dia que eu chego em casa e fico cansado. Antes dessa obra, eu não ficava assim”, lamentou, enquanto segurava um pano para proteger as vias respiratórias.

De acordo com o secretário de Infraestrutura de Paulista, Francisco Maia, já foram concluídos 2,5 quilômetros da Estrada de Manepá. “Agora, só faltam 500 metros. Já fizemos a troca de algumas tubulações, mas ainda estamos esperando que a Compesa troque o restante das peças já desgastadas, por isso que atrasamos. A obra faz parte de um convênio da Prefeitura com os Ministérios do Turismo e das Cidades. Com a troca de ministro, houve um atraso no repasse de recursos e isso também dificultou o serviço”, justificou. Ele informou que já foram investidos R$ 1,5 milhão na obra. “Ainda falta investirmos mais um milhão. Se conseguirmos retomar o recurso do Ministério, ótimo. Se não, vamos usar recursos próprios, mesmo”, complementou. A obra, que, segundo Maia, estava prevista para encerrar até 17 de fevereiro, teve seu prazo estendido para o final de março.

Fonte: FolhaPE