Delegada Erica Bezerra, assessora do DRACCO; delegada Polyanne Farias, gestora da DIRESP; delegada Sylvana Lellis, gestora do DRACCO; delegado Diego Pinheiro, titular da 2 DECCOR (Foto: Divulgação / PCPE)

A Polícia Civil divulgou nesta sexta-feira (28) detalhes da Operação Locatário 2, que investiga locação de imóveis no município de Paulista, no Grande Recife. A nova operação, deflagrada na manhã desta sexta, é um desdobramento da Operação Locatário 1. A investigação é comandada pelo delegado Diego Pinheiro, do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), e apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro operado por um empresário amigo do prefeito Junior Matuto (PSB).

Os policiais cumpriram nove mandados de busca de apreensão domiciliar, sendo cinco deles a pessoas físicas e os outros quatro em empresas ligadas a um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Na operação de hoje, a Polícia Civil apreendeu um cofre que continha uma quantidade de dinheiro em espécie não informada. A polícia também apreendeu documentos. A Polícia Civil afirmou que a Operação Locatário poderá ter novas fases de investigação.

“Nós identificamos transações bancárias suspeitas. Esses empresários, donos dessas empresas, estava repassando dinheiro para outro empresário, investigado na Operação Locatário 1. O destino final desse dinheiro seriam as contas do prefeito de Paulista (Júnior Matuto, PSB)”, disse Diego Pinheiro, em entrevista coletiva na manhã desta sexta.

“Identificamos entre 2013 e 2019 mais de R$ 300 mil em transferências bancárias repassadas por meio dessas empresas. Uma das empresas, o dono dela tem um vínculo de amizade forte com o prefeito de Paulista. Desde o primeiro dia de sua gestão o genro deste empresário é secretário na prefeitura. Há todo um vínculo de amizades de empresas e de família com esse empresário”, continuou o delegado.

Ele se refere a Romero Pontual, proprietário da empresa Casa de Farinha. Pontual é sogro de Rafael Siqueira, secretário de Finanças de Paulista. De acordo com a investigação, a Casa de Farinha seria uma das empresas a fazer depósitos suspeitos nas contas do empresário Leonardo Henrique Leal, proprietário da Interaminense, empresa de locação de imóveis investigada na Operação Locatário 1.

O suposto esquema apresentado pela polícia dá conta de que uma construtora, não identificada pela polícia ao divulgar as informações nesta sexta, também faria transferências para Leonardo Leal. A polícia afirma que esta construtora pertence a um primo de Romero Pontual Filho, sócio da Casa de Farinha. Segundo a Polícia Civil, o dinheiro transferido seria entregue, em espécie, ao próprio prefeito Júnior Matuto, por Leonardo Leal, que seria operador financeiro do suposto esquema.

Afastamento e retorno

O prefeito Junior Matuto chegou a ser afastado do cargo em julho, quando foi deflagrada a primeira fase da Operação Locatário. Na época, o vice-prefeito, Jorge Carreiro (PV), assumiu o cargo e afastou todos os secretários de governo de Matuto. No último dia 10 de agosto, Matuto voltou à prefeitura beneficiado por uma decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Depreende-se, assim, excepcional risco de grave violação à ordem pública, frente ao risco potencial de que o requerente seja mantido afastado do cargo para o qual foi eleito até o fim do mandato, já que deferida a medida acauteladora, em ambos os feitos, por prazos que vão além do termo final de seu mandato, o que caracteriza evidente antecipação dos desdobramentos de um suposto juízo condenatório”, diz a decisão liminar de Dias Toffoli. Em seu retorno, Júnior Matuto readmitiu todos os comissionados afastados por Carreiro, incluindo o secretário Rafael Siqueira, citado pela Polícia Civil na segunda fase da operação.

A reportagem tentou contato com Junior Matuto, mas até o momento não houve resposta. Em suas redes sociais, o prefeito não se manifestou sobre a segunda fase da Operação Locatário.

Fonte: DP