Operários da obra de contenção do avanço do mar, que deveria acabar em fevereiro, sumiram desde o mês passado e não há previsão para concluir o serviço

As obras de contenção do avanço do mar em Pau Amarelo, no município de Paulista, deveriam ser concluídas no próximo mês. Mas, em dezembro, os operários responsáveis pelo serviço sumiram da praia. Eles começaram a trabalhar em agosto, na Rua Nossa Senhora Aparecida, e deveriam colocar os sacos de areia que vão dissipar a força das ondas – técnica chamada de bagwall – em dois quilômetros da orla. No entanto, interromperam o serviço 700 metros depois, nas proximidades da Rua do Retiro. Moradores e comerciantes que esperavam pela chegada dos sacos nos outros 1.300 metros ficaram sem saber o que havia acontecido e voltaram a temer a força das águas.

No quarteirão em que o material deveria estar sendo instalado agora, por exemplo, as ondas batem a cerca de cinco metros dos muros de casas, hotéis e restaurantes. Quando a maré sobe, chega a invadir alguns imóveis. Um condomínio na Rua do Futuro perdeu até a parede externa no ano passado. “O muro cedeu e nós tivemos que construir outro, dois metros atrás. Mas o mar continuou avançando e hoje as ondas já chegam à parede nova quando a maré sobe. Semana passada, ficou tão alta que a água passou o muro e invadiu a casa. O gramado está cheio de lama e a cerca elétrica ficou com sargaços”, revelou o caseiro Luiz Cláudio da Silva, 41 anos.

Mais na frente, são os comerciantes da beira da praia os mais preocupados. Nas proximidades do Hotel Casablanca, os muros de alguns bares cederam por causa do avanço do mar. Outros tiveram que ser apoiados em madeiras e troncos de árvores para não cair. No ponto mais crítico, até coqueiros arriaram. “Quando a maré enche, não podemos mais colocar mesas na areia e às vezes as ondas chegam até a parte mais alta”, falou o comerciante Francisco Moacir, 52, apontando a marca-d’água no chão do estabelecimento, mais de um metro acima da areia. “Estou aqui há três anos e já vi o mar avançar cerca de 25 metros”, completou Ailton José Araújo, dono de outro bar da orla, que hoje conta com aproximadamente 20 metros de faixa de areia.

O secretário de Meio Ambiente de Paulista, Fábio Barros, admitiu que Pau Amarelo é um dos trechos mais prejudicados pelo avanço do mar na cidade. “É uma área extensa que sofreu um processo erosivo constante nos últimos anos. A situação é mais complicada que no Janga porque lá não há a proteção dos diques de pedra”, explicou. Ele falou ainda que as obras tiveram que ser interrompidas porque houve um problema no repasse dos recursos da Defesa Civil Nacional, órgão ligado ao Ministério da Integração Nacional que custeia o serviço.

“O repasse foi dividido em duas parcelas. A primeira, de R$ 4 milhões, chegou assim que fechamos o acordo e foi aplicada na primeira etapa do serviço, os 700 metros que estão prontos. Mas a segunda parcela, de R$ 10 milhões, atrasou por causa de uns problemas técnicos do Ministério.

Fonte: JC Online