Polêmica gira em torno do percentual de 17,20% sugerido pelas empresas

Os membros do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) se reunirão nesta sexta (20), no Grande Recife Consórcio de Transporte, às 8h, para discutir o reajuste das passagens de ônibus. O assunto vem causando polêmica desde que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) solicitou um aumento de 17,20% em cima dos valores praticados hoje. Depois de quatro anos com reajuste seguindo a inflação do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), que neste ano ficou em 6,5%, o Sindicato pediu o acréscimo acima da média justificando um aumento nos gastos do setor. O pedido levou o CSTM a convocar a reunião.

Cerca de dois milhões de pessoas utilizam transporte público na RMR

Desde 2008, segundo o Grande Recife Consórcio, o Governo do Estado adotou o IPCA co­mo balizador do reajuste para o transporte público de passageiros, a fim de dar transparên­cia ao processo. Ainda segundo o Consórcio, antes da data eram utilizados percentuais apontados por planilhas técnicas construídas pelo setor. A prática gerava questionamentos e um maior ônus ao usuário. Atualmente, cerca dois milhões de pessoas utilizam diariamente o transporte público na Região Metropolitana do Recife.

Recife é uma das capitais com a tarifa de ônibus mais bai­xa do Brasil, com o valor cobra­do pelo Anel A de R$ 2. Po­rém, de acordo com o Urbana-PE, as maiores cargas tributárias e as taxas de gratuidade, que no Recife, segundo o Sindicato, ultrapassam 50% do valor da tarifa, são fatores contribuintes para o aumento.

Um dos pontos criticados pe­la população contrária ao aumento é o índice de 17,20%, considerado abusivo. Do outro lado, o presidente do Urbana-PE, Fernando Bandeira, acredita que o acréscimo é necessário. “Nos últimos anos foi usado o índice do IPCA, que está em 6,5%. Porém, essa inflação não representa necessariamente a inflação do segmento de transporte. Nós fizemos os cálculos com base em uma planilha usada em todo o País. Tivemos mais custos com carro, com o combustível, pneus. Somos prestadores de serviço e tivemos aumento dos custos”.

Sobre as queixas dos usuários referentes à má qualidade dos serviços oferecidos, Bandeira informou que melhorias já foram feitas. “Nós renovamos 400 ônibus de nossa frota e, hoje, temos uma das melhores do Brasil. Nosso transporte não é de má qualidade pelo preço que se paga para que ele seja executado”, argumentou.

Caso o reajuste siga a inflação do IPCA, as tarifas podem subir de R$ 2, o Anel A, para R$ 2,15. O Anel B passaria de R$ 3,10 para R$ 3,30. Já os anéis D e G, com custo hoje, de R$ 2,45 e R$ 1,30 passariam para R$ 2,60 e R$ 1,40, respectivamente. Po­rém, se o valor solicitado pela Urbana-PE for atendido, os anéis A e B subirão para R$ 2,35 e R$ 3,60, enquanto os D e G passarão a valer R$ 2,85 e R$ 1,85.

Além da discussão sobre o reajuste tarifário, vai ser apresentada a proposta de calendário das reuniões do Conselho que serão realizadas em 2012. A posse dos novos conselheiros está prevista durante a reunião. As cadeiras representadas pelo secretário de Transportes de Olinda e Com­panhia Brasileira de Trens Urbanos de Pernambuco, serão representadas por Marcos Albuquerque Belfort e Ricardo Esberard Albuquerque Beltrão, respectivamente.

Fonte: FolhaPE