Médicos identificaram que paciente internado no Hospital Miguel Arraes está com colonização de bactéria multirresistente

Homem está internado desde o dia 30 de abril. Chegou à unidade com suspeita de meningite.
Homem está internado desde o dia 30 de abril. Chegou à unidade com suspeita de meningite.

A possível presença da superbactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemases) em um paciente internado no Hospital Miguel Arraes, em Paulista, acendeu o sinal de alerta na unidade de saúde. Um homem foi levado para o hospital no último dia 30 de abril com suspeita de meningite, mas logo a doença foi descartada e, no lugar, a equipe médica identificou uma colonização por uma bactéria multirresistente que tem grandes chances de ser a KPC, segundo informou o setor de controle de infecção hospitalar da unidade. A confirmação deve vir através de um exame que ainda será realizado no Laboratório Central de Pernambuco (Lacen). A KPC é resistente a antibióticos potentes e é adquirida em hospitais. Entre 2009 e 2010, o país viveu um surto provocado pela bactéria, inclusive com registro de mortes. Esse não foi o primeiro caso registrado no hospital, inaugurado em dezembro de 2009.

A médica infectologista Cátia Branco, que atua no Hospital Miguel Arraes, informou que o paciente está colonizado pela bactéria multirresistente, o que significa dizer que ainda não apresentou infecção em virtude da contaminação. “O estado de saúde do doente é estável e ele é mantido na enfermaria, mas sem contato físico com outros pacientes. Apesar de ainda não termos confirmado qual é a bactéria colonizada, a equipe médica que está em contato com ele já está orientada e paramentada para evitar que haja transmissão para outros doentes”, explicou.

Cátia Branco adiantou, ainda, que a população não precisa entrar em pânico, pois toda a equipe de atendimento está orientada sobre o assunto. “Até agora ainda não sabemos qual a doença do paciente”, informou. O uso indiscriminado de antibiótico, com venda sem prescrição médica, agravou o aparecimento de microrganismos resistentes como a KPC.

A KPC é oportunista, ou seja, ataca geralmente pessoas com um quadro de saúde complicado, agravado por alguma doença. As vítimas preferidas são pessoas gravemente feridas, ou que estão internadas em UTIs, submetidas a vários procedimentos de caráter invasivo.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o monitoramento dos casos de infecção pela bactéria KPC é feito nos próprios estados e municípios. A Anvisa justificou que não recebe o monitoramento local e por isso não tem números nacionais sobre o assunto. Em julho de 2011, a KPC voltou aos jornais depois que o Hospital da Restauração registrou o internamento de três pacientes com suspeita de ter a superbactéria.

Fonte: Diario de Pernambuco (Assinante)