Por Carlos Brickmann

Dúvida cruel, diante dos últimos (e penúltimos) acontecimentos:

1 – Nunca se roubou tanto no país quanto agora?
2 – Nunca se investigou tanto no país quanto agora e por isso aparecem mais malfeitos?
3 – Perdeu-se de vez a vergonha e tudo se faz às claras?

Resposta correta: as três, mas principalmente as duas últimas. Hoje, as investigações não são feitas apenas pela Polícia, mas também por particulares, munidos de equipamentos de uso geral e baixo custo. E, como se perdeu a vergonha, tudo fica muito exposto. O gatuno expõe seus pedidos como se estivesse fazendo propostas comerciais absolutamente legítimas. E, claro, há o item 1: muita gente, vendo como é fácil botar a mão em dinheiro público, resolveu pegar sua parte.

O mais impressionante, entretanto, é a banalização do absurdo. No momento em que o país precisa economizar, aparecem figurões que já ganham bem e pedem equiparações, aumentos, vantagens. E ainda furam a fila: há gente que espera anos para receber precatórios alimentares que deveriam ser pagos rapidamente, mas para as Excelências o dinheiro aparece na hora – um desembargador, por exemplo, recebeu adiantado porque teve problemas no apartamento.

Ilegal? Não, não é ilegal – mas é frustrante ver que não há dinheiro para reajuste aos aposentados, embora haja para auxílio-moradia a autoridades que vivem na cidade onde trabalham.

Não é ilegal, mas é injusto. É o decoro zero.

Fonte: Diário do Grande ABC