Apesar da estrutura precária de treino de taekwondo, Adria Rayanne tem se destacado no país

O espaço ideal para um tatame de taekwondo é de 8m x 8m e mais um metro de área de escape. Um “dojô” deste tamanho é um sonho distante para os membros do Projeto Taekwondo para Todos, realizado na cidade de Paulista. Nele, os atletas treinam embaixo da arquibancada do Ginásio Municipal de Paratibe. São cerca de três metros de largura por dez de comprimento. Alguns trechos da parede que apoia a arquibancada apresentam mofo. A parede oposta é vazada por cobogós. Uma chuva mais forte termina prejudicando o treinamento. Mesmo com esse cenário desestimulante, Adria Rayanne, que treina no local, alcançou a tão sonhada seleção brasileira júnior de taekwondo.

Adria Rayanne representará o país nos Jogos da Juventude no Peru agora em setembro
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O PROBLEMA NÃO É SÓ O TATAME

A atleta de 16 anos é um dos exemplos de sucesso do projeto que é referência no país. Sob o comando do técnico Eliel Azevedo, o Taekwondo para Todos tem alcançado resultados expressivos no cenário nacional. Com vários atletas entre os melhores ranqueados do país, a convocação de Adria para os Jogos da Juventude em Lima foi a cereja do bolo da equipe. Porém, os desafios de Adria não se resumem apenas ao local de treinamento. Chegar até Paulista é outra dificuldade.

Aos 16 anos, Adria não trava apenas batalhas dentro do tatame
Aos 16 anos, Adria não trava apenas batalhas dentro do tatame

A distância é uma delas. A atleta vive em Casa Amarela e treina em Paulista. Sai de casa às 13h, após estudar a manhã inteira, e se dedica ao Taekwwondo em dois horários. Das 14 às 16h e das 20h às 21h40. A mudança de uma academia mais próxima à sua casa para o treinamento próximo ao terminal de Paratibe não foi uma obrigação, mas opção. Na sua antiga equipe, Adria ia bem nos treinos, porém não competia, oportunidade que teria com o técnico Eliel. “Sabia que ela tinha potencial, mas no começo ela tinha medo de lutar. Tivemos que trabalhar isso”, revelou o treinador.

A recompensa

Em julho deste ano, Adria chegava ao Campeonato Brasileiro – categoria júnior até 63 kg – como segunda colocada no ranking nacional. Na decisão, enfrentou a primeira colocada do país, Luiza Banks, paranaense, experiente, muito mais alta e para quem já tinha perdido duas vezes. A adversária, que parecia imbatível, foi desbancada. “Só tive o ‘estalo’ momentos antes. Notei que Luiza só se movimentava no sentido horário e não atacava. Apenas contra-atacava. Pedi que Adria girasse no sentido anti-horário e esperasse por ela”, contou Eliel Azevedo.

A estratégia deu tão certo que, com poucos minutos de luta, Adria tinha nove pontos na frente, causando desespero na adversária. “Eu não acreditava que podia ganhar, mas quando abri vantagem fiquei confiante a apenas administrei no final”, comemorou a atleta.

Fonte: Super Esportes